PUBLICIDADE

Tradição japonesa com toque autoral

Durante muito tempo, difundiu-se a ideia de que as mulheres não poderiam estar à frente das cozinhas japonesas. A explicação mais recorrente é de que suas mãos seriam mais quentes do que as dos homens, o que poderia interferir no sabor e no preparo das comidas, principalmente dos sushis e sashimis.

Telma Shiraishi - Aizomê - Jornal aQuadra
Telma Shiraishi

A chef Telma Shiraishi quebrou esse tabu, conquistando não só o paladar criterioso dos paulistanos e da crítica especializada, mas também o respeito da exigente comunidade japonesa. “Minha trajetória foi repleta de desafios e muitos me disseram que meu lugar não era na cozinha de meu próprio restaurante! Meu maior desejo é que as mulheres possam estar em qualquer lugar do mundo, com liberdade e segurança para fazerem e serem o que quiserem.”

Nascida em São Paulo, mas criada no interior, Telma largou a faculdade de Medicina da USP por sentir falta de desenvolver seu lado mais artístico. Nos anos 90, trabalhou como assistente do estilista Fause Haten, mas também deixou a moda e, aos poucos, migrou para a cozinha – pela qual realmente sente paixão.

Começou a fazer jantares e coquetéis para amigos e eventos, até abrir o restaurante Aizomê, nos Jardins, que não tardou a ganhar uma unidade dentro do centro cultural Japan House. 

O menu reflete a cozinha delicada e autoral da chef, tendo a base conceitual nos ingredientes sazonais e na estreita relação com produtores locais, ao mesmo tempo em que prioriza o conceito do ofukuru no aji – expressão que remete ao sabor da comida caseira, “de mãe”.  “Com certeza minha comida é resultado de uma grande despensa de memórias: cheiros, sabores, texturas, ingredientes, lugares, pessoas e situações. É um viver conjugado com comer e beber, lembrar e cozinhar. Tem muito a ver com aquelas mesas enormes nos encontros de família e de comer sashimi com feijoada ou churrasco com oniguiri e farofa.”

Telma Shiraishi - Aizomê - Jornal aQuadra

Os sabores e técnicas tradicionais da culinária japonesa são acrescidos de toques autorais e uma elaboração variada de preparações que seguem o sabor das estações, do clima e das inspirações da chef.  “O meu caminho pela culinária japonesa é de contínuo aprendizado e conta a minha história. Sou brasileira, neta de imigrantes japoneses, e foi na cozinha que encontrei a forma de expressar essa identidade e conciliar minha brasilidade com as raízes de meus antepassados.

Foi através do resgate dos sabores e das histórias de imigrantes como meus avós que consegui romper as barreiras do tempo e do espaço, combinando Brasil e Japão no mesmo prato – dois países tão distantes geográfica e culturalmente quanto possível. Meu trabalho é a continuação do esforço de pescadores, criadores, produtores e artesãos, os quais me permitem fazer uma receita que junta ingredientes brasileiros com as técnicas e toques japoneses. É basicamente o sabor de nosso mar, de nossa terra e de nossa gente em uma moldura japonesa – a moldura que herdei de meus antepassados.”

O conjunto da obra rendeu à chef, que também está à frente da cozinha do Consulado do Japão em São Paulo, o título de Embaixadora para Difusão da Cultura e Culinária Japonesa, concedido pelo governo japonês. Telma é a primeira profissional brasileira e uma das raras mulheres no mundo a receber a honraria.

Telma Shiraishi - Aizomê - Jornal aQuadra

Telma Shiraishi
Chef do restaurante Aizomê

Aizomê
Al. Fernão Cardim, 39
Av. Paulista, 52 – 2º andar
aizome.com.br
@aizomerestaurante

compartilhe

compartilhe

PUBLICIDADE

Você pode gostar

Andressa Gomes, colaboradora Jornal aQuadra

A arte de fazer perguntas

Segundo especialistas em desenvolvimento humano, a partir dos três anos de idade nos tornamos questionadores. Aos 37 alguns são capazes de desenvolver tecnologias que nos deem respostas. Você não? Sam Altman sim.

continuar lendo...

Assine nossa newsletter!

Receba avisos sobre novos artigos e novas edições do jornal.