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Paternidade materna

Diante da correnteza de transformações que ocorreram do início do século 20 até os dias de hoje, homens e mulheres se percebem angustiados com as diferentes formas de relações, casamentos e famílias que já não são estruturas pré-moldadas.

por Dra. Vânia Assaly

Dra. Vânia Assaly

São quase 6 horas da manhã e, com olhar atento e amoroso, Felipe penteia o cabelo de Pedrinho, enquanto toma seu shake proteico e arruma sua mala de ginástica.

Na correria para não perder a entrada da escola, pai e filho fazem um sinal de positivo e batem uma foto no espelho do elevador, com seus cabelos igualmente espetados.

Despedem-se com um abraço apertado e, em breve nostalgia, Felipe lembra de seu pai, percebendo o quão diferente é a forma como exerce a paternidade.

Diante da correnteza de transformações que ocorreram do início do século 20 até os dias de hoje, homens e mulheres se percebem angustiados com as diferentes formas de relações, casamentos e famílias que já não são estruturas pré-moldadas.

Do menino frágil ao homem forte e a expectativa de se tornar um bom pai, fica difícil segurar a ansiedade e assumir tantos papéis, cumprindo com as expectativas da vida moderna.

Ser forte, inteligente, produtivo, bom marido, bem-sucedido e ainda por cima estar com o corpo sarado, não é uma missão simples para muitos homens que se transformam em pais, aprendendo a lidar com mulheres poderosas, líderes em empresas, destacando-se profissionalmente e permanecendo ausentes de suas casas em grande parte do dia. 

Se falávamos em dupla jornada materna, hoje este modelo é vivido por muitos pais que buscam equacionar seu tempo entre trabalho e família, e também em ser um bom pai.

E os pais mais velhos, como estão vivenciando a paternidade?

Um convite para a vida, uma nova jornada, um novo olhar para a relação familiar e para seu filho. 

Muitos com maior disponibilidade afetiva, presença, trazem uma renovação no modelo paterno, onde existe um pedaço de pai, avô e mãe.  

Enfim, neste novo cenário não existem padrões e sim um convite para a renovação, novos projetos e a intenção de viver uma longa viagem. Por outro lado, a incerteza de estarem presentes na vida de seus filhos e a percepção de que gostariam de ter mais tempo para viver esta nova etapa da vida.

A busca de qualidade de vida com profissionais que cuidam da saúde e não apenas esperar a doença é um novo paradigma para esses homens que têm na paternidade e na construção de uma nova família uma renovação e motivação para se cuidar.

Atendo muitos homens em crise, vivendo momentos de ansiedade e depressão, buscando encontrar um caminho diante de tantos desafios nesta nova forma de exercer a paternidade.

Digo carinhosamente que seus filhos terão a sorte de viver com pais mais vulneráveis, que podem trocar fraldas, ler histórias, andar de bicicleta e chorar ao ver seu filho vencer sua primeira batalha.

Vivemos de fato uma revolução cultural com diferentes formatos de famílias, mas de forma muito especial a paternidade hoje é de fato mais materna.

Endocrinologista e nutróloga, é diretora do Instituto Assaly de Medicina Personalizada. Busca identificar a singularidade de cada paciente em seu modo de ser, viver, envelhecer e adoecer com o objetivo de compreender os modelos e disfunções que ocorrem antes do aparecimento das principais doenças crônicas, tornando o paciente consciente e mais participativo na gestão de sua saúde e qualidade de vida.
Dra. Vânia Assaly

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