Vibrei quando a Helena me contou que faria um jornal do bairro

“Bom-dia, vizinho”

16 out 2020 - 12h12 | atualizado em 19 out 2020 13h27
jornal aQuadra - crônica- Jardins

Por RICARDO GUIMARÃES

E achei genial ser impresso, porque dá para pegar e exibir que você está lendo aQuadra na praça. Essa visibilidade pública cria identificação, aproxima as pessoas e, mesmo que você não vá puxar conversa, dá um sentimento de pertencer a um mesmo lugar, a um grupo de vizinhos com interesses, problemas e riquezas compartilhados.

 

Nada contra o digital, mas o jornal impresso é outra coisa, é artesanal. E pelo extremo bom gosto e informação que eu sei que a Helena tem, será coisa de colecionar. Parabéns pela ideia e pelo espírito empreendedor! Vai enriquecer muito o conhecimento sobre o nosso bairro e aumentar o valor de nosso patrimônio. Tomara que os prestadores de serviços que nos atendem aqui saibam apoiar e explorar o potencial comercial do aQuadra. Mídia dirigidíssima, com conteúdo e linguagem proprietários. Coisa rara. Desejo muito sucesso para você, minha amiga e vizinha querida.

 

Costumo dizer que moro no pé da montanha e trabalho às margens do rio. Levo 15 minutos para caminhar até o meu escritório. Meus filhos também estão por perto; com exceção da Leca, que mora em Austin, Texas, ninguém está a mais de 500 m de distância entre uma casa e outra. Fiz minha vida acontecer aqui no bairro. Talvez esse seja um dos meus projetos mais bem-sucedidos: viver em São Paulo como se estivesse em uma cidade do interior.

 

Lili, minha mulher, está aqui desde antes do supermercado Sirva-se chegar à esquina da Gabriel com a Ibsen (da Costa Manso). Sim, somos baby boomers.

 

Naquela época, eu morava na Casa Branca, esquina com a Oscar Freire, e conhecia o bairro como o fim da linha do 54, o ônibus elétrico que descia a Gabriel para a gente ir ao Clube Pinheiros quando não pegávamos o 51, que parava mais perto do clube. No lugar do Shopping Iguatemi havia uma chácara com porteira, e a Faria Lima era a estreita Rua Iguatemi, onde passava bonde.

 

Estamos no bairro desde que casamos, até porque a Lili fica mal só de pensar em se mudar daqui. Passamos pela Saquarembó, na frente da casa da mãe dela; pela Capitão Antonio Rosa, onde pegamos duas enchentes; depois Cel. Alfredo Cabral, onde ficamos por 20 anos; estamos na Mariana Correia desde 2003, em uma casa construída por nós, com a genial competência do Isay Weinfeld, que assina projetos lindos no bairro.

jornal aQuadra - crônica - Jardins

Ricardo no Mercado de Pinheiros, onde visita o Instituto ATA, espaço dedicado aos novos sabores brasileiros e focado em ingredientes de diferentes biomas do Brasil. Mercado Municipal de Pinheiros, R. Pedro Cristi, 89, Largo da Batata

Aliás, sugiro que aQuadra organize caminhadas temáticas como de arquitetura, árvores, birdwatching. Basta marcar dia, hora, local de partida, que deve ser a Praça Gastão Vidigal, óbvio. Contrate um especialista, de preferência do bairro, o grupo racha o custo e aQuadra faz a reportagem com fotos, entrevistas e informações sobre o tema. Já deixo aqui a provocação para que os voluntários especialistas entrem em contato para começar a organizar.

Eu caminho muito pelo bairro. Tenho vários circuitos. O mais curto é entre minha casa e o Pão de Açúcar – quem mexeu no meu Pão? Saudades da gestão Diniz! – para tomar um café na cafeteria do supermercado com meu filho Pedro, que mora na Ibsen. Na volta passo no Tiago, na Oliveira Pinto e depois na Shubi, na Maria Carolina, para ver os netos.

O circuito médio é gastronômico e me leva até o Mercado de Pinheiros, onde faço algumas compras nos boxes do Instituto Atado qual sou conselheiro – que traz para São Paulo comes e bebes e coisas de cinco biomas do nosso Brasil. Um turismo super-rico de sabores e saberes. Se a sacola estiver leve, volto passando pelo Instituto Tomie Ohtake e pela Fnac.

O circuito maior é mais atlético, porque vou até o Parque do Povo e dou as voltas que aguento enquanto confiro como está indo o crescimento daquele jardim. Eu gosto muito de acompanhar o desenvolvimento de árvores e plantas e suas variações nas estações do ano.

Mas o mais gostoso desses passeios são as pessoas com quem a gente cruza e que, mesmo sem nos conhecer, trocam um simples e breve “bom-dia”, como se dissessem “que legal que é morar neste bairro, né, vizinho?”.

Pois é. E vai ficar mais legal ainda quanto mais aQuadra nos ajudar a conhecê-lo melhor.

Fico por aqui. Até qualquer hora em numa padaria, farmácia, loja ou aqui, no aQuadra. Meu abraço.

 

Fotos: Paulo Giandalia 

*RICARDO GUIMARÃES é publicitário, sócio-fundador da Thymus e morador do Jardim Paulistano. Ricardo tem apoiado dois dos mais consistentes cases de marca no Brasil: Natura, case study na London Business School, e Banco Real, case study na Harvard Business School. Os clientes dele são empresas líderes de setores: TAM Linhas Aéreas, Natura Cosméticos, AfroReggae, Vivo-Telefônica, Banco do Brasil, entre outros. Ricardo Guimarães é membro do conselho da Fundação Nacional da Qualidade, da São Paulo Companhia de Dança e do Instituto ATA – Gastronomia e Sustentabilidade.

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