Feliz ano novo! - Jornal A Quadra

18 nov 2020 - 13h20 | atualizado em 31 dez 2020 01h33

Por DR. JOSÉ AFONSO DA SILVA Foto LUCAS LENCI

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O fim do ano está chegando. É hora de tomar algumas providências, para que o ano que vem seja melhor do que o que está acabando. Por mim, já estou aprontando minha roupa branca para usar na virada do ano. Roupa branca porque o branco simboliza paz, iluminação e bondade. Mesmo que eu passe o Réveillon em casa, só com minha mulher, vamos os dois passá-lo de roupa branca, e ainda vou pedir à Lenita que adicione lentilha a nossa ceia de fim de ano. Comer lentilha no fim do ano propicia fartura. Essa superstição foi trazida ao Brasil pelos imigrantes italianos. Na Itália, existe até um ditado popular que diz: “Lentilha no Ano-Novo, dinheiro o ano todo” (“Lenticchie a capod ´anno franchi tutto l´anno”). Mesmo que não se acredite muito nessas coisas, não custa utilizá-las, vai que são verdadeiras…

Se formos para a praia, vamos acender muitas velas na areia em prol de Iemanjá. E à meia-noite vamos pular sete ondas. De acordo com a tradição, Iemanjá nos purifica e dá força para vencer os obstáculos a serem enfrentados no próximo ano. Por que pular exatamente sete ondas? Sete é um número considerado espiritual e representa Exu, filho de Iemanjá. Ao pular as sete ondas, você invoca os poderes de Iemanjá, abrindo caminhos para o próximo ano. Cada  pulo deve ser acompanhado de um pedido que você deseja que seja realizado. Após pular, não vire as costas para o mar, senão quebra o encanto. Essas são algumas das superstições de fim de ano que integram a cultura popular brasileira. País de religiosidade difusa, de um catolicismo distante da ortodoxia da igreja, um catolicismo sincrético, muito contaminado da religiosidade africana. Não é de estranhar que o imaginário popular adicione outros símbolos às suas vivências culturais, o que explica as superstições, simpatias e crendices do fim do ano.

 

O Brasil anda tão mal que, em vez de sete, convido-os a pular 14 ondas, para limpá-lo. A cada pulo, peça que a divindade o livre de males. Amém. 

JOSÉ AFONSO DA SILVA

Jurista, especialista em direito constitucional, professor titular aposentado da Faculdade de Direito da USP e autor de vários livros. Foi secretário de Segurança Pública do Estado entre 1995 e 1999. Tem 92 anos e é morador do bairro há 20.

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